Cada estudante tem um jeito único de aprender, interagir e se expressar. Enquanto alguns preferem desafios constantes, outros valorizam segurança e previsibilidade. Há quem brilhe em apresentações em grupo, e também os que se sentem mais confortáveis com análises detalhadas e silenciosas.
A Teoria DISC, criada por William Moulton Marston, oferece uma lente prática para entender esses comportamentos e adaptar a prática pedagógica. Ao reconhecer os perfis comportamentais dos alunos, professores e gestores escolares podem criar estratégias que respeitam a diversidade, promovem engajamento e favorecem a aprendizagem de todos.
Perfis comportamentais baseados na Teoria DISC
O modelo DISC organiza os comportamentos em quatro grandes grupos:
- Dominância (D): orientados para resultados, competitivos, gostam de desafios e de tomar decisões rápidas;
- Influência (I): comunicativos, criativos e sociáveis, aprendem melhor em ambientes dinâmicos e colaborativos;
- Estabilidade (S): tranquilos, pacientes e leais, preferem segurança, rotina e tempo para refletir;
- Conformidade (C): analíticos, críticos e detalhistas, valorizam regras, instruções claras e qualidade no que fazem.
Esses perfis não são rótulos fixos: cada aluno apresenta uma combinação única deles, mas geralmente um ou dois se sobressaem.
Como os alunos podem se encaixar nesses perfis?
De maneira geral, na sala de aula é possível identificar traços comportamentais de acordo com atitudes recorrentes:
- O aluno Dominante (D) pode se frustrar com atividades repetitivas e prefere tarefas com autonomia;
- O aluno Influente (I) tende a ser expansivo, gosta de trabalhar em grupo e costuma falar bastante;
- O aluno Estável (S) prefere ambientes tranquilos, evita conflitos e se dedica com constância às atividades;
- O aluno Conforme (C) é cuidadoso, cobra precisão, gosta de seguir instruções e se incomoda com erros.
Perceber essas características ajuda o professor a planejar metodologias que atendam diferentes formas de engajamento.
De quais formas o professor pode lidar com cada um desses perfis no dia a dia escolar?
Na gestão de sala de aula, confira dicas para lidar com os quatro perfis de alunos no cotidiano escolar:
Com alunos Dominantes (D)
Alunos com esse perfil costumam ser objetivos, competitivos e gostam de assumir protagonismo. Para engajá-los:
- Proponha desafios intelectuais ou práticos, como projetos com metas claras e tempo limitado;
- Ofereça espaço para decisões, como escolher estratégias em trabalhos ou papéis de liderança em grupos;
- Trabalhe atividades que mostrem o valor da cooperação e da escuta, já que esses alunos tendem a impor suas opiniões.
Exemplo prático: em um debate, peça que o aluno “D” defenda uma posição contrária à que acredita, estimulando empatia e flexibilidade.
Com alunos Influentes (I)
Esse perfil é comunicativo, criativo e adora interações sociais. Pode se dispersar facilmente, mas se motiva quando sente que é ouvido e reconhecido. Para lidar com eles:
- Use metodologias ativas (debates, apresentações, dramatizações, jogos cooperativos);
- Dê feedback positivo em público e destaque suas contribuições para a turma;
- Estabeleça regras de tempo e participação para que não dominem as conversas.
Exemplo prático: em uma apresentação em grupo, o aluno “I” pode ser responsável por explicar o tema à turma, usando sua habilidade de comunicação.
Com alunos Estáveis (S)
Esses estudantes são tranquilos, consistentes e preferem ambientes previsíveis. São bons ouvintes e leais, mas podem resistir a mudanças ou a situações muito agitadas. O professor pode:
- Criar uma rotina estruturada e avisar com antecedência sobre mudanças ou avaliações;
- Valorizar atividades de cooperação, como projetos em duplas ou grupos pequenos;
- Incentivar gradualmente a participação em situações novas, para que ganhem segurança.
Exemplo prático: ao introduzir uma nova metodologia, permita que os alunos “S” comecem em papéis de apoio antes de se tornarem protagonistas.
Com alunos Conformes (C)
O perfil conforme é analítico, detalhista e perfeccionista. Esses alunos apreciam instruções claras e se incomodam com erros ou falta de organização. Para engajá-los:
- Forneça orientações bem estruturadas e rubricas de avaliação;
- Valorize a qualidade do trabalho e incentive revisões antes da entrega;
- Trabalhe a flexibilidade em atividades que envolvam improviso ou pensamento criativo.
Exemplo prático: em uma pesquisa, os alunos “C” podem ser responsáveis por validar informações, revisar fontes e organizar dados, exercitando sua atenção ao detalhe.
DISC como recurso para inclusão e engajamento
Mais do que uma teoria, o DISC pode ser visto como um instrumento prático de inclusão. Ele ajuda a valorizar talentos diversos, a prevenir conflitos e a promover um espaço em que cada aluno se sente reconhecido pelo que é.
Quando professores, gestores e famílias trabalham juntos nesse sentido, a escola se torna um lugar onde todos têm espaço para aprender e crescer.
Ferramentas práticas para começar
Atualmente, já existem ferramentas de mapeamento comportamental, como o CIS Assessment, que aplicam a teoria DISC aliada a outras referências da psicologia para gerar um retrato aprofundado do perfil de cada pessoa.
Professores e gestores escolares podem se beneficiar desses recursos para lidar melhor com os estudantes e auxiliá-los de maneira ainda mais personalizada, o que reflete diretamente na qualidade da educação oferecida.
Autor convidado: Blog Imaginie Educação – Tudo o que você precisa para melhorar os resultados da sua escola está aqui!